O Complexo Oncológico de Referência do Estado de Goiás (Cora) incorporou tecnologias robóticas suíças de última geração à reabilitação oncológica pediátrica, ampliando o acesso do Sistema Único de Saúde (SUS) a terapias de alta complexidade e acelerando a recuperação funcional de crianças e adolescentes em tratamento. Nesta primeira etapa, cerca de 30 pacientes já iniciaram sessões com equipamentos como Lokomat, Andago, Armeo Power, Armeo Spring e C‑Mill, dispositivos que combinam exoesqueletos, esteiras inteligentes e sistemas de treino de marcha com feedback visual e jogos interativos.
Os equipamentos atendem crianças com sequelas decorrentes da doença ou de tratamentos — fraqueza muscular, alterações neurológicas, perda de resistência e dificuldades de marcha — e permitem treinos personalizados com controle de assistência e intensidade. A fisioterapeuta técnica Diene Watanabe de Matos destaca ganhos clínicos rápidos: “Há melhoria do padrão de marcha, aumento da simetria e da estabilidade, além de progresso no equilíbrio, no controle postural e na funcionalidade dos membros superiores. A robótica acelera a reaprendizagem motora sem sobrecarga”, afirma. Além do benefício físico, a abordagem tecnológica aumenta a adesão ao tratamento ao transformar exercícios em atividades lúdicas por meio de jogos e desafios virtuais.
Relatos de famílias ilustram o impacto: Romilda Cruzara, avó da pequena Laura, de 7 anos, conta que a neta, diagnosticada com tumor cerebral aos 4 anos, recuperou parte da mobilidade após iniciar a reabilitação robótica. “Ela já consegue andar melhor e mexer a mão. Hoje fazemos todo o acompanhamento no mesmo lugar, com consultas, fisioterapia e fonoaudiologia. O atendimento aqui é de ponta”, diz. Apolo Henrique, de 13 anos, que passou por reabilitação após fraturar a perna e descobrir um nódulo ósseo, comemora ter voltado a andar sem muleta e sonha em voltar a jogar futebol.
Para o diretor‑geral Rafael Mendonça, a integração da robótica reforça o papel do Governo de Goiás em oferecer tratamento pediátrico de ponta no SUS: “O Cora é o primeiro hospital público estadual do Brasil dedicado integralmente ao tratamento do câncer. Ao unir tecnologia, atendimento humanizado e pesquisa, a instituição se torna referência nacional”, afirma. Desde a inauguração em 9 de junho de 2025, a unidade registrou 243 casos novos, com 101 diagnósticos oncológicos e 46 pacientes em tratamento; em seis meses foram realizadas 611 cirurgias, 4.051 consultas médicas e 3.136 atendimentos multiprofissionais.
O hospital, que recebeu investimento de R$ 255 milhões do Governo de Goiás, oferece recursos inéditos no SUS, como ressonância magnética integrada ao centro cirúrgico, e concentra atendimento multidisciplinar — cirurgias, quimioterapia, radioterapia, fisioterapia e fonoaudiologia — sem que as famílias precisem se deslocar para outros estados. Todo o fluxo é coordenado pelo Complexo Regulador Estadual, garantindo acesso ágil e seguro aos pacientes.
A adoção da robótica suíça no Cora representa um avanço na reabilitação oncológica pediátrica ao combinar tecnologia de ponta e cuidado humanizado, com resultados clínicos mensuráveis e impacto direto na qualidade de vida das crianças e adolescentes em tratamento.