O Governo de Goiás lançou nesta quinta-feira (5 de março), em Goiânia, a Operação Mulheres 2026, um conjunto de ações integradas para intensificar o combate à violência doméstica e à prevenção do feminicídio no estado. O evento, realizado às vésperas do Dia Internacional da Mulher, reuniu representantes de todas as forças de segurança e marcou também o início de frentes complementares como a Operação Marias, o projeto Laço Seguro e a Sentinela Violeta, uma ferramenta de inteligência artificial pioneira no Brasil para monitoramento e prevenção de crimes contra a mulher.
O governador Ronaldo Caiado ressaltou que o enfrentamento ao feminicídio “ultrapassa a barreira da segurança pública” e exige ações preventivas no âmbito social e educativo, lembrando que 72% dos feminicídios ocorrem dentro das residências. Para Caiado, é imprescindível uma cadeia de proteção intersetorial: “Se não existir uma cadeia de informações, vamos estar sempre diante de fato consumado.” Ele conclamou municípios, poderes e sociedade a se envolverem na conscientização e na denúncia.
A primeira-dama e coordenadora do Goiás Social, Gracinha Caiado, reforçou que a violência contra a mulher não se combate isoladamente, mas com o sistema inteiro atuando “do mesmo lado, o lado da vítima”, integrando justiça, assistência social, oportunidades e ações de acolhimento. O vice-governador Daniel Vilela afirmou que as iniciativas fazem parte de uma política permanente do estado e destacou que, em 2025, todos os criminosos denunciados foram presos, sinalizando avanço na resposta às denúncias.
A Sentinela Violeta foi apresentada como um ecossistema de inteligência artificial capaz de coletar, organizar e analisar dados sobre ocorrências, vítimas e agressores, produzindo indicadores e identificando padrões e áreas de maior risco, com emissão de alertas em tempo real. Segundo o delegado-geral André Ganga, a ferramenta permitirá mapear tanto vítimas quanto autores e orientar ações preventivas e investigativas com maior precisão; ele também destacou o aumento de 40% no efetivo policial nas Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher.
A Operação Mulheres 2026 inclui uma força-tarefa que abrange cumprimento de mandados relacionados a crimes de gênero, prisões em flagrante, fiscalização e acompanhamento de Medidas Protetivas de Urgência, visitas preventivas a vítimas e agressores monitorados e monitoramento por tornozeleira eletrônica com relatórios de risco. Exames periciais e emissão de laudos para crimes contra a mulher terão prioridade, e haverá campanhas educativas amplas, com divulgação no transporte coletivo da Região Metropolitana de Goiânia, 100 outdoors e 10 mil panfletos distribuídos em todo o estado para incentivar denúncias e fortalecer a rede de proteção.
O projeto Laço Seguro, mantido pela Escola Superior da Polícia Civil, levará palestras itinerantes para aproximar polícia e sociedade, ensinar a identificar sinais de abuso e orientar sobre como acionar as autoridades. A Operação Marias, deflagrada pela Polícia Civil, foca no cumprimento de medidas cautelares, busca e apreensão e no acompanhamento de medidas protetivas, além de ações de prevenção e conscientização.
A fase complementar da operação ocorrerá entre 6 e 31 de março, com ações intensificadas durante o mês emblemático em torno do Dia Internacional da Mulher. O secretário de Segurança Pública, Renato Brum, afirmou que o estado não ficará inerte e seguirá atuando de forma firme, enquanto gestores municipais presentes à solenidade reforçaram o compromisso local de ampliar resultados em defesa das mulheres.
O governo reforça a importância da denúncia e do envolvimento de toda a sociedade: não apenas as vítimas, mas também testemunhas e vizinhos devem comunicar suspeitas às autoridades. A Operação Mulheres 2026 combina tecnologia, repressão, prevenção e acolhimento para reduzir a incidência de violência de gênero em Goiás, e sua eficácia dependerá da integração entre órgãos públicos e do engajamento da população em formar uma rede de proteção efetiva.