O prefeito Sandro Mabel e o secretário municipal da Fazenda, Valdivino de Oliveira, apresentaram à Câmara Municipal, nesta segunda‑feira (16/3), o Relatório do 3º Quadrimestre de 2025, que aponta recuperação fiscal, aumento da arrecadação e ampliação dos investimentos. Segundo Valdivino, a gestão reverteu um quadro de desequilíbrio herdado e devolveu saúde financeira ao município: “Tiramos as finanças da Prefeitura de Goiânia da UTI e esperamos que continuem sempre sadias”, afirmou ao responder questionamentos dos vereadores durante a audiência pública exigida pela Lei de Responsabilidade Fiscal.
Os números oficiais mostram que a Prefeitura encerrou 2025 com R$ 1,2 bilhão em disponibilidade de caixa e arrecadação total recorde de R$ 10,02 bilhões, alta de 9,64% em relação a 2024 e 5,16% acima da inflação do período. O exercício registrou superávit orçamentário de R$ 583,2 milhões e investimentos de R$ 501 milhões, um aumento de 56,5% sobre o ano anterior, resultado que a administração atribui ao rigor no controle de despesas e ao fortalecimento das receitas próprias.
A evolução das receitas próprias foi destaque no relatório: passaram de R$ 4,57 bilhões em 2024 para R$ 5,29 bilhões em 2025, crescimento de 15,61%, impulsionado por tributos como ISS, IRRF, IPTU e ITBI. O ISS consolidou‑se como principal receita própria, com arrecadação que saltou para R$ 1,5 bilhão, enquanto o IRRF registrou expansão expressiva, alcançando R$ 691,8 milhões. O IPTU manteve crescimento consistente e o ITBI refletiu a dinâmica do mercado imobiliário local. Esses resultados, segundo a Sefaz, reduziram a dependência do município em relação às transferências federais, que, por sua vez, recuaram: o Fundo de Participação dos Municípios (FPM) caiu 7,91%, reflexo do cenário econômico nacional.
No campo das despesas, a administração registrou retração real nas despesas correntes e diminuiu a relação entre Dívida Consolidada Líquida e Receita Corrente Líquida de 11,30% para 8,06%, índice muito abaixo do limite legal, o que demonstra margem de segurança fiscal. A despesa com pessoal ficou em 45,97% da RCL, dentro das metas de responsabilidade fiscal. A Prefeitura também destacou a recuperação de créditos por meio do Refis e da Semana Nacional de Conciliação, que resultaram em arrecadação adicional superior a R$ 68 milhões.
Apesar do ajuste fiscal, a gestão manteve investimentos relevantes nas áreas sociais: a Saúde recebeu R$ 1,3 bilhão e a Educação R$ 1,58 bilhão, percentuais que, segundo a Prefeitura, comprovam o equilíbrio entre austeridade e prioridade social. O relatório aponta ainda que, em termos reais, houve redução de 7,44% nas despesas correntes, reflexo do pagamento de passivos herdados e do controle mais rigoroso sobre novos compromissos.
A apresentação do 3º quadrimestre reforça a mensagem da administração municipal de que a disciplina fiscal foi usada como instrumento para ampliar a capacidade de investimento e melhorar a prestação de serviços. Com caixa robusto, receitas próprias em alta e indicadores de endividamento confortáveis, a Prefeitura de Goiânia afirma ter recuperado a sustentabilidade financeira necessária para sustentar políticas públicas e obras nos próximos exercícios.