A Prefeitura de Goiânia, por meio da Patrulha Mulher Mais Segura da Guarda Civil Metropolitana (GCM), intensificou em agosto as ações de acolhimento, fiscalização do cumprimento de medidas protetivas e orientação a mulheres em situação de violência, reforçando a campanha Agosto Lilás e a atuação integrada da rede de proteção. A iniciativa combina visitas de acompanhamento, verificações proativas e encaminhamentos a serviços psicológicos e jurídicos para evitar que episódios de violência escalem.
Os números locais ilustram a dimensão do trabalho: entre janeiro e julho de 2026 a Patrulha realizou 3.114 atendimentos e efetuou 199 encaminhamentos para atendimento psicológico, orientação jurídica, serviços da rede de proteção e casas de acolhimento. Em paralelo, foram promovidas 32 palestras que alcançaram 4.952 pessoas, com foco em prevenção, direitos das mulheres e formas de buscar ajuda. A tecnologia também faz parte da estratégia: 1.052 mulheres estão cadastradas no aplicativo Prefeitura 24h e têm acesso ao Botão do Pânico para acionamento imediato da GCM.
Os dados nacionais reforçam a urgência das ações municipais. O estudo Retrato dos Feminicídios no Brasil, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, aponta que para cada feminicídio consumado há 2,7 tentativas registradas; que 80,7% dos crimes são cometidos por companheiros ou ex-companheiros; e que 66,3% ocorrem dentro da residência da vítima. Quase 87% das mulheres assassinadas não possuíam medida protetiva de urgência, e 62,6% das vítimas eram mulheres negras, evidenciando a interseção entre violência de gênero e desigualdade racial.
Em Goiânia, a fiscalização do cumprimento das medidas protetivas é contínua: entre janeiro e julho a Patrulha realizou 115 verificações proativas, comunicou o Tribunal de Justiça quando necessário e registrou 37 flagrantes de violação de medidas protetivas, com encaminhamento dos autores à Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam). No mesmo período, a GCM registrou 40 flagrantes envolvendo agressões físicas, psicológicas, sexuais e morais, com condução dos suspeitos à Delegacia da Mulher para providências legais.
A comandante Luíza Sol, da Patrulha Mulher Mais Segura, destaca que as equipes fazem visitas de acompanhamento para checar se mulheres com medidas protetivas estão seguras e que, quando necessário, encaminham para atendimento psicológico, fornecimento de cesta básica ou abrigamento. A Prefeitura reforça que o enfrentamento à violência contra a mulher depende da atuação conjunta do poder público e da sociedade, com ênfase na prevenção, na fiscalização ativa e no fortalecimento da rede de acolhimento.
Mulheres em situação de risco podem acionar a Guarda Civil Metropolitana pelo telefone 153 e procurar os serviços da rede de proteção para receber atendimento e orientação. A intensificação das ações durante o Agosto Lilás busca ampliar a proteção imediata e reduzir a ocorrência de crimes mais graves, combinando presença policial, apoio social e ferramentas tecnológicas para resposta rápida.