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Omissão de falha no degelo antecedeu queda de avião da Voepass em Vinhedo

Quase um ano após o desastre que matou 62 pessoas em Vinhedo (SP), um ex-funcionário de manutenção da Voepass revelou ao g1 que o alerta de falha no sistema de degelo do ATR 72-500 não foi registrado no diário de bordo técnico na madrugada de 9 de agosto de 2024, horas antes da decolagem de Cascavel.

Segundo a testemunha, o comandante do voo anterior relatou verbalmente à equipe de manutenção que, durante o trajeto de Guarulhos a Ribeirão Preto, o dispositivo de degelo – responsável por evitar a formação de gelo nas asas – desarmava-se sozinho sempre que acionado. A pane, que por norma deveria impedir o despacho para Cascavel, ficou fora do registro formal e foi ignorada pela liderança do hangar.

O setor de manutenção operava sob forte pressão da diretoria para manter aeronaves em voo e não perder horários. Sem anotação no diário de bordo (TLB), os mecânicos não tiveram autonomia para investigar ou corrigir o problema durante a parada entre 1h e 5h30. Às 5h32, o ATR 72-500 decolou de Ribeirão Preto rumo a Guarulhos; às 8h20, seguiu para Cascavel; e às 11h56 retornou para Guarulhos, despencando em Vinhedo às 13h22.

A perícia do Instituto Nacional de Criminalística confirmou que o botão de airframe de-icing foi acionado três vezes durante o voo final, provavelmente sem funcionar, o que em condição de gelo severo comprometeu aerodinâmica e sustentação, segundo o perito Carlos Eduardo Palhares Machado.

O Cenipa indicou no relatório preliminar que conversas na caixa-preta mencionam falha no sistema de degelo. Para o doutor em engenharia aeronáutica James Waterhouse, da USP, operar sem comprovar a eficácia do degelo em rota com gelo severo viola o Regulamento Brasileiro de Aviação Civil e inviabiliza o voo.

A Polícia Federal investiga eventual crime pela omissão de registro, informação já compartilhada com a corporação, enquanto o Cenipa e a Anac também apuram a tragédia. Após o acidente, a agência reguladora cassou o certificado de operação de voos da Voepass.

O ex-funcionário acredita que, se a falha tivesse sido documentada no TLB, a aeronave teria sido retida em Ribeirão Preto ou não seguiria para Cascavel, evitando a maior tragédia da aviação brasileira em quase duas décadas.

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