O ex-policial militar Kleverton Pinheiro de Oliveira, conhecido como Kel Ferreti, foi detido em Maceió durante a Operação Trapaça, acusado de chefiar uma rede que enganava apostadores em esquemas de rifas e sorteios ilegais. A ação da Polícia Civil apreendeu joias, celulares e dinheiro em espécie.
Nas redes sociais, Kel Ferreti ostentava carros de luxo, viagens internacionais e uma Ferrari, afirmando ensinar lucrativas “técnicas” de apostas online. “A galera não ganha dinheiro na internet por falta de conhecimento”, dizia ele aos seguidores. Em áudios obtidos pela investigação, o ex-PM admitia a ilegalidade do negócio: “Rifa é ilegal mesmo, por isso falo ação”.
O Ministério Público de Alagoas apura fraude em rifas manipuladas para premiar apenas bilhetes pré-selecionados, enquanto milhares de participantes perdiam economias inteiras. Em um mês, Ferreti chegou a faturar R$ 400 mil com cursos não regulamentados, mas as autoridades afirmam que os valores vinham das apostas ilícitas.
Para dar credibilidade ao golpe, o guru digital recrutava influenciadores como Laís Oliveira, com mais de 5 milhões de seguidores. Segundo o MP, ela recebeu quase R$ 1 milhão entre janeiro e abril de 2024, e o marido embolsou R$ 456 mil. Ambos foram presos em dezembro, mas liberados dias depois.
Expulso da Polícia Militar em 2023, Kel Ferreti cumpria pena domiciliar de oito anos por estupro, monitorado por tornozeleira eletrônica. A vítima do esquema de apostas vive sob medida protetiva e acionou o botão de pânico três vezes após a liberdade do ex-PM.
Apesar da investigação em curso, Ferreti mantém perfis ativos nas redes sociais com autorização judicial para frequentar bares e praias. Sua defesa nega que ele seja proprietário de plataformas de apostas, alegando que atuava apenas como publicitário.