Goiânia se prepara para voltar ao mapa mundial da motovelocidade: a cidade será a única sede da América Latina no Mundial de MotoGP em 2026 e recebe a elite da categoria entre 20 e 22 de março, encerrando um hiato de mais de 20 anos sem corridas em solo brasileiro. A modernização do Autódromo Internacional Ayrton Senna está 95% concluída, com investimento de R$ 250 milhões do Governo de Goiás, e passa por ajustes finais antes da homologação prevista para 19 de março, que oficializará o Grande Prêmio do Brasil no calendário da competição.
Nesta quarta-feira (4/3), o governador Ronaldo Caiado, a coordenadora do Goiás Social e primeira-dama Gracinha Caiado e o vice-governador Daniel Vilela vistoriaram as obras e destacaram a aplicação de tecnologia e melhorias de segurança. Caiado afirmou que a pista recebeu sistemas de controle de prova e telemetria considerados entre os mais modernos da América Latina, com cronometragem detalhada, sensores de solo e infraestrutura médica completa. “Estamos mostrando para o mundo que aqui nós temos o que há de mais sofisticado em tecnologia”, disse o governador.
A requalificação do autódromo incluiu a reconstrução e o alargamento da pista, a modernização e ampliação dos 22 boxes, a reconfiguração dos camarotes com melhor visibilidade e novo sistema de climatização, a construção de uma nova torre integrada e um viaduto de acesso de serviço. Estão em finalização serviços de jardinagem e a instalação de novos banheiros família. Os equipamentos de segurança — áreas de escape ampliadas, caixas de brita maiores, colchões de ar e barreiras infláveis (airfence) — foram testados em evento-teste realizado em 28 de fevereiro, com a presença de técnicos da Federação Internacional de Motociclismo (FIM).
Pilotos convidados participaram das simulações e avaliaram positivamente as intervenções. O goiano Eduardo Marques, atual campeão brasileiro na categoria 1000 Light, destacou que o novo asfalto e as mudanças nas saídas de curva permitem acelerar mais cedo e frear mais tarde, reduzindo os tempos de volta. O arquiteto responsável pela obra, Carlos Wieck, informou que o circuito conta com 49 câmeras de monitoramento com zoom óptico de 38 vezes, adquiridas pelo governo estadual e que permanecerão no autódromo.
Além das melhorias técnicas, o evento terá caráter social e formativo: Gracinha Caiado anunciou oficinas profissionalizantes em parceria com os Colégios Tecnológicos de Goiás, com foco em mecânica para motos, bicicletas e carros, como legado para a qualificação profissional local. A parceria entre o Estado e a gestora da MotoGP, a espanhola Dorna Sports, assegurou a realização da prova em Goiânia entre 2026 e 2030.
A expectativa de público e impacto econômico é elevada. O gerente do autódromo e ex-piloto Luiz Roberto Boettcher estimou público superior a 200 mil pessoas ao longo do evento, enquanto projeções oficiais apontam para a atração de mais de 150 mil visitantes no fim de semana da corrida, entre turistas nacionais e internacionais. A organização prevê a geração de cerca de 4 mil empregos diretos e indiretos e um impacto econômico aproximado de R$ 870 milhões em setores como hotelaria, comércio, alimentação e serviços.
O cantor Gusttavo Lima, convidado para entoar o hino nacional antes da corrida principal, antecipou uma apresentação que mesclará o hino com elementos da viola caipira, ressaltando a visibilidade internacional que o evento trará ao estado. Com obras quase concluídas, testes técnicos realizados e a homologação agendada para 19 de março, Goiânia avança para receber o MotoGP e reposicionar o Brasil no circuito mundial da motovelocidade.