{"id":4290,"date":"2025-01-14T09:34:51","date_gmt":"2025-01-14T12:34:51","guid":{"rendered":"https:\/\/entorno24h.com.br\/?p=4290"},"modified":"2025-01-14T09:34:51","modified_gmt":"2025-01-14T12:34:51","slug":"ex-detentas-buscam-nova-chance-por-meio-de-capacitacao-em-luziania","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/entorno24h.com.br\/index.php\/2025\/01\/14\/ex-detentas-buscam-nova-chance-por-meio-de-capacitacao-em-luziania\/","title":{"rendered":"Ex-Detentas Buscam Nova Chance por Meio de Capacita\u00e7\u00e3o em Luzi\u00e2nia"},"content":{"rendered":"<p>Em Luzi\u00e2nia (GO), a realidade das detentas costuma envolver abandono, superlota\u00e7\u00e3o e falta de perspectivas. Nesse cen\u00e1rio, a <strong>Associa\u00e7\u00e3o Ame Mulheres Esquecidas (A.M.E.)<\/strong> atua para acolher e capacitar mulheres que cumpriram pena, oferecendo suporte emocional e profissional. A meta \u00e9 reintegrar essas ex-detentas \u00e0 sociedade, reduzindo a reincid\u00eancia e recuperando a dignidade delas.<\/p>\n<h3><\/h3>\n<h3><strong>Vozes do C\u00e1rcere: Dor e Esquecimento<\/strong><\/h3>\n<p>Em uma carta endere\u00e7ada \u00e0 \u201cmadrinha\u201d Mariana*, a ex-detenta Patr\u00edcia* descreve sentimentos de solid\u00e3o e invisibilidade:<\/p>\n<blockquote><p>\u201cAqui dentro, ningu\u00e9m lembra da gente. L\u00e1 fora, ningu\u00e9m quer lembrar.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>A declara\u00e7\u00e3o evidencia a dura rotina dentro das pris\u00f5es femininas, em que o abandono \u00e9 quase regra, segundo a fundadora da A.M.E., <strong>Shaila Manzoni<\/strong>. Ela relata que muitas presas da Unidade Prisional Feminina de Luzi\u00e2nia \u2014 com 184 detentas para uma capacidade de 121 \u2014 sequer recebem visitas.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cA falta de perspectivas \u00e9 quase total. Elas se sentem invis\u00edveis, sem qualquer la\u00e7o afetivo ou chance de reden\u00e7\u00e3o\u201d, ressalta Shaila.<\/p><\/blockquote>\n<p>Diante desse abandono, a A.M.E. promove eventos dentro dos pres\u00eddios em datas como Natal, P\u00e1scoa e Dia das M\u00e3es, em parceria com volunt\u00e1rios e empresas locais. As a\u00e7\u00f5es buscam <strong>resgatar a humanidade<\/strong> das mulheres encarceradas, criando momentos de afeto em um ambiente hostil.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cO mais urgente \u00e9 enxergar o ser humano no meio disso tudo. Sem esse olhar, a gente perde o sentido\u201d, completa Shaila.<\/p><\/blockquote>\n<p>O trabalho de ressocializa\u00e7\u00e3o continua ap\u00f3s a sa\u00edda da detenta, quando a A.M.E. oferece <strong>capacita\u00e7\u00e3o profissional<\/strong> e articula parcerias com empresas dispostas a contratar ex-presidi\u00e1rias. Assim, muitas encontram a primeira oportunidade de trabalho e conseguem reconstruir suas vidas.<\/p>\n<h4><strong>Exemplo de Supera\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>Patr\u00edcia, que cumpriu tr\u00eas anos de deten\u00e7\u00e3o, vagou sem rumo depois de sair do pres\u00eddio, at\u00e9 ser acolhida pela A.M.E. e empregada como cozinheira em uma empresa parceira.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cFoi a primeira vez que algu\u00e9m acreditou em mim. A liberdade sem apoio era s\u00f3 um p\u00e2nico constante\u201d, conta, emocionada.<\/p><\/blockquote>\n<p>Hoje, Patr\u00edcia se mant\u00e9m no emprego e planeja crescer profissionalmente, sonhando at\u00e9 em empreender.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cN\u00e3o achava que era capaz de nada. Mas recebi a primeira chamada para entrevista de emprego e percebi que, sim, posso construir um futuro melhor\u201d, celebra Ana Maria*, outra ex-detenta beneficiada.<\/p><\/blockquote>\n<h3><\/h3>\n<h3><strong>Rede de Apoio e \u2018Madrinhas\u2019<\/strong><\/h3>\n<p>Um dos pilares da A.M.E. \u00e9 o <strong>acompanhamento emocional<\/strong>. Cada ex-detenta ganha uma \u201cmadrinha\u201d, que envia cartas, liga periodicamente e acompanha desafios do dia a dia. Mariana*, uma dessas madrinhas, destaca:<\/p>\n<blockquote><p>\u201cN\u00e3o julgo, apenas acolho. Minha miss\u00e3o \u00e9 lembrar a minha afilhada de que ela n\u00e3o est\u00e1 sozinha.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>De acordo com Shaila, esse v\u00ednculo \u00e9 decisivo para que as mulheres n\u00e3o se sintam impelidas a voltar ao crime. \u201cElas precisam saber que algu\u00e9m se importa, e esse \u2018algu\u00e9m\u2019 est\u00e1 l\u00e1, firme, quando o resto do mundo vira as costas\u201d, refor\u00e7a.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de a\u00e7\u00f5es dentro do pres\u00eddio, a A.M.E. organiza diversos <strong>eventos comemorativos<\/strong> que ajudam a refor\u00e7ar a autoestima e o senso de pertencimento das detentas. A parceria com a empresa <strong>Remembear<\/strong>, por exemplo, viabiliza doa\u00e7\u00f5es de objetos de decora\u00e7\u00e3o, transformando esses eventos em momentos de celebra\u00e7\u00e3o e inclus\u00e3o.<\/p>\n<blockquote><p>\u201c\u00c9 muito mais do que doar itens. \u00c9 mostrar que elas s\u00e3o vistas e valorizadas\u201d, explica <strong>Fabiani Silva e Luiza Lima<\/strong>, representantes da Remembear.<\/p><\/blockquote>\n<h3><\/h3>\n<h3><strong>Impacto Social e Futuro<\/strong><\/h3>\n<p>Segundo o Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, a taxa de reincid\u00eancia feminina chega a 50%. Por\u00e9m, iniciativas como a A.M.E. comprovam que esse \u00edndice pode ser reduzido quando h\u00e1 <strong>amparo, capacita\u00e7\u00e3o e acolhimento<\/strong>.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cA verdadeira transforma\u00e7\u00e3o come\u00e7a quando enxergamos essas mulheres al\u00e9m dos erros que cometeram. \u00c9 nesse cuidado, nessa empatia, que devolvemos dignidade e esperan\u00e7a\u201d, reflete <strong>Renata Hanai<\/strong>, s\u00f3cia da associa\u00e7\u00e3o.<\/p><\/blockquote>\n<p>Em 18 meses, Patr\u00edcia reconstruiu sua vida. <strong>Ana Maria<\/strong> vislumbra a possibilidade de abrir o pr\u00f3prio neg\u00f3cio. E outras mulheres come\u00e7am a escrever novos cap\u00edtulos gra\u00e7as a um projeto que as enxerga como seres humanos capazes de recome\u00e7ar.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cMeu desejo \u00e9 que mais pessoas acreditem na gente. Como disse na carta, \u2018l\u00e1 dentro\u2019, ningu\u00e9m lembra. Mas aqui fora, se a gente n\u00e3o for esquecida, o futuro pode ser bem diferente\u201d, conclui Patr\u00edcia.<\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em Luzi\u00e2nia (GO), a realidade das detentas costuma envolver abandono, superlota\u00e7\u00e3o e falta de perspectivas. Nesse cen\u00e1rio, a Associa\u00e7\u00e3o Ame Mulheres Esquecidas (A.M.E.) atua para acolher e capacitar mulheres que cumpriram pena, oferecendo suporte emocional e profissional. A meta \u00e9 reintegrar essas ex-detentas \u00e0 sociedade, reduzindo a reincid\u00eancia e recuperando a dignidade delas. 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