A classificação de Portugal sobre a Croácia foi definida por um detalhe tecnológico: no fim da prorrogação, quando o placar parecia se igualar, o chip embutido na bola Trionda detectou um desvio que caracterizava impedimento, e o VAR anulou o gol, garantindo a vaga portuguesa. O lance expôs, de forma clara, como sensores, inteligência artificial e transmissão em tempo real já influenciam resultados em partidas de alto nível.
Desenvolvida pela Adidas em parceria com a Kinexon, a Trionda traz um sensor de movimento capaz de rastrear a trajetória da bola e registrar toques com altíssima frequência, enviando dados ao sistema do VAR centenas de vezes por segundo. Essas informações são combinadas com o posicionamento dos jogadores e analisadas por algoritmos de IA, o que permite aos árbitros revisar lances como impedimentos e possíveis toques de mão com mais rapidez e precisão. Segundo Hannes Schaefke, líder de inovação em futebol da Adidas, “um dos nossos principais focos foi ajudar os árbitros a tomar decisões corretas o mais rápido possível, porque qualquer revisão do VAR interrompe o ritmo da partida.”
A Trionda evolui em relação à Al Rihla usada em 2022: o sensor deixou de ficar suspenso no centro da bola e passou a ser embutido em uma camada dentro de um dos quatro painéis, enquanto os outros três receberam contrapesos para manter o equilíbrio. O número de painéis foi reduzido em comparação ao modelo anterior, e o sensor continua sendo alimentado por bateria recarregável, exigindo recargas periódicas. Essas mudanças visam preservar o comportamento aerodinâmico e a sensação de jogo, ao mesmo tempo em que ampliam a capacidade de coleta de dados.
Além da bola inteligente, a Copa de 2026 trouxe outras inovações que reforçam a integração entre tecnologia e arbitragem. A FIFA implementou a digitalização 3D dos jogadores convocados, criando avatares que ajudam a visualizar com precisão a posição do corpo no momento do toque da bola, recurso útil para decisões sobre impedimento. Paralelamente, o Football AI Pro, ferramenta de IA desenvolvida pela entidade, analisa estatísticas, posicionamento e vídeos para gerar relatórios táticos e de desempenho destinados às comissões técnicas, acelerando a extração de insights após as partidas.
O episódio entre Portugal e Croácia reacende o debate sobre os limites e benefícios da automação no futebol: por um lado, a tecnologia reduz a margem de erro humano e aumenta a transparência das decisões; por outro, levanta questões sobre a experiência do jogo, o ritmo das partidas e a aceitação dos torcedores. Ainda assim, o lance decisivo mostrou que, quando bem calibrada, a combinação de sensores na bola, VAR e IA pode ser determinante em momentos cruciais, transformando um toque quase imperceptível em uma decisão que define uma classificação.